Instituto Inhotim celebra duas décadas de existência com mostras em Brumadinho - Blog Ana Cláudia Thorpe
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Instituto Inhotim celebra duas décadas de existência com mostras em Brumadinho

Reforçando seu papel central no circuito da arte contemporânea brasileira, o Instituto Inhotim, localizado em Brumadinho, celebra suas duas décadas de funcionamento com exposições dos artistas Dalton Paula, Lais Myrrha e Davi de Jesus do Nascimento. 

Foto: Divulgação/Instituto Inhotim

Ampliando o diálogo entre arte, paisagem e memória, uma das esculturas presentes é a Contraplano, obra inédita de Lais Myrrha produzida especialmente para o Inhotim, sendo instalada em um ponto estratégico dos jardins e que se impõe na paisagem ao mesmo tempo em que convida à permanência e à interação do público. Com vista para as montanhas mineiras, estabelece um diálogo com o modernismo brasileiro ao evocar o edifício projetado por Oscar Niemeyer para a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. 

Foto: Divulgação/Instituto Inhotim

A poucos passos dali, na Galeria Nascente, o artista Davi de Jesus do Nascimento apresenta a instalação Tororoma, profundamente enraizada em sua trajetória pessoal, se estruturando a partir das ideias de fluxo e transformação, evocando as águas e o imaginário do sertão mineiro. Em um ambiente de meia-luz e chão de terra batida, a instalação reúne obras e um vídeo realizado nas Cavernas do Peruaçu, criando uma atmosfera imersiva. Referências ao universo literário de Guimarães Rosa se somam a uma dimensão íntima: a obra também homenageia a mãe do artista, que faleceu em 2013. No centro do espaço, uma carranca esculpida por Mestre Expedito, importante nome da tradição popular, que não realizava novas peças há cerca de dez anos, emerge de um espelho d’água, enquanto outras duas marcam a entrada da galeria, evocando símbolos tradicionais de proteção. 

Foto: Divulgação/Instituto Inhotim

Finalizando com chave de ouro, o artista goiano Dalton Paula ocupa a Galeria Mata com a exposição panorâmica Dupla Cura, que reúne mais de 100 obras produzidas desde a década de 1990 até hoje. A mostra articula pinturas, fotografias e videoinstalações que revisitam a história e a cultura afro-brasileiras, propondo a reconstrução de memórias apagadas e afirmando a arte como gesto de cuidado, pertencimento e resistência.