Farol Santander traz exposição que expõe mapas que contam histórias do Brasil - Blog Ana Cláudia Thorpe
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Farol Santander traz exposição que expõe mapas que contam histórias do Brasil

Recuperando o papel dos mapas para além da orientação, mostrando que eles também carregam histórias, inclusive a forma como um país foi imaginado ao longo do tempo, o Farol Santander promove nova exposição que expõe os mapas que contam histórias do Brasil. 

Foto: Divulgação/Farol Santander

Nomeada como A Invenção do Novo Mundo: Mapas da Coleção Santander, esta nova exposição possui curadoria de Helena Severo e Maria Eduarda Marques, reunindo mais de 50 obras, entre cartas náuticas, planisférios e representações do território das Américas produzidas entre os séculos 16 e 18, período conhecido como a “Era de Ouro” da cartografia ocidental. 

Foto: Divulgação/Farol Santander

Os monstros marinhos, comuns nas representações do século 16, surgem como um aviso de que o que vem pela frente está relacionado à forma como o Brasil era imaginado e compreendido. A expografia é dividida de modo cronológico, com cortinas, tapeçarias e projeções que quebram a lógica de uma exposição tradicional e criam um percurso mais imersivo. A primeira parte do percurso mergulha no século 16, quando o Brasil era mais imaginado do que conhecido e ainda estava cercado de mistério. Ali, a cartografia acaba por funcionar mais como uma narrativa do que uma geografia. Baseadas em referências genéricas de um território pouco conhecido, estão representações do Brasil que misturam noções geográficas aproximadas a um universo de elementos vindos de relatos imprecisos de viajantes e de heranças de tradições medievais. 

Foto: Divulgação/Farol Santander

Já no século 17 os mapas ficam mais detalhados, mais “organizados”, e o território começa a se aproximar do que se conhece hoje, acompanhando o aumento das navegações e também as disputas entre potências europeias. A produção cartográfica se intensifica, especialmente nos Países Baixos, que se tornam um centro importante de impressão. O litoral ganha contorno, rios passam a ser identificados, cidades começam a aparecer, destacando também a sessão “Brasil Holandês”, onde durante o governo de Maurício de Nassau, artistas e cientistas produziram registros mais próximos da realidade, feitos in loco. Isso se reflete em mapas com paisagens mais reconhecíveis, detalhes da fauna e da flora e até cenas do cotidiano.

Foto: Divulgação/Farol Santander

Por fim, no século 18, sob influência do pensamento iluminista, os os mapas se tornam mais técnicos e sóbrios, onde a cartografia passa a incorporar conhecimentos científicos como astronomia e geodésia em mapas objetivos, voltados à definição de fronteiras e ao controle territorial um reflexo das disputas geopolíticas da época. Um dos elementos que chama atenção é a rosa dos ventos no chão. No canto da sala, uma prancheta simula o desdobrar de um mapa, como se o papel estivesse sendo aberto diante dos olhos, com uma cadeira para quem desejar assistir sentado.