Expografia e experiências inéditas marcam celebração do Frevo - Blog Ana Cláudia Thorpe
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Expografia e experiências inéditas marcam celebração do Frevo

Após oito anos de inauguração, o Paço do Frevo celebra os 10 anos do Frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco com uma grande novidade nesta terça, dia 20 de dezembro. O museu atualiza parte da sua exposição de longa duração, com nova expografia na ala térrea e experiências inéditas, numa programação aberta ao público a partir das 18h e que conta também com palco e apresentações em frente ao espaço cultural.

Intitulada “Frevo Vivo”, a nova expografia está localizada na ala térrea do museu, apresentando o Frevo em constante transformação neste mês de comemoração dos 10 anos do reconhecimento do Frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Por isso, o Paço do Frevo escolheu a data para celebrar a data e atualizar a sua exposição de longa duração, construída de forma coletiva por diversos colaboradores e colaboradoras locais. Desde a inauguração do Centro de Referência em Salvaguarda do Frevo, há oito anos, a exposição não era atualizada.

Durante a abertura da renovação da exposição de longa duração do Paço do Frevo, desde a inauguração do Centro de Referência em Salvaguarda do Frevo, o ponto alto será a volta do Maestro Duda aos palcos, afastado por problemas de saúde. Dando visibilidade a personagens e pontos de vista até então menos presentes, a exposição “Frevo Vivo” conta a história do Frevo destacando as mulheres, a negritude, as crianças e personagens essenciais dentro da comunidade frevística, como os artesãos e as artesãs, além de produções e registros da atualidade.

Também apresenta duas instalações inéditas: uma cartografia sonora do Frevo e uma vídeo-instalação. As novas intervenções irão substituir a linha do tempo atual e também irão ocupar os espaços do hall de escada e do Centro de Documentação. “Frevo Vivo” une assim tradição e inovação ao reverenciar o Frevo como patrimônio vivo, reunindo composições, manifestações e registros da atualidade sem esquecer as raízes. Os visitantes vão encontrar reformulada a já conhecida linha do tempo, que agora destaca a história através de um recorte de fatos e temas pouco visibilizados, mas fundamentais para que o Frevo se tornasse a potência que é.

Tudo isso será apresentado numa cronologia mais fragmentada, construída de forma não linear, com um jogo de perguntas e respostas – característico do Frevo-de-Rua –, como, por exemplo, “Como vai soar o Frevo daqui a 100 anos?”, “Festa e fé, como se misturam?” e “Quem pinta e desenha o Frevo?”. As datas são apresentadas através de temáticas sociais e históricas, num ambiente imersivo, com trilha sonora e uma nova materialidade.

A inspiração para trazer novas perspectivas foi a fragmentação da sombrinha de Frevo em triângulos abstratos. Com base nessa ideia, o hall da escada ganhou uma escultura construída de sombrinhas brancas fragmentadas feitas por Mestre Wilson, referência na dança e no artesanato. Ele é uma das tantas pessoas que compõem a pluralidade da comunidade do Frevo presentes nessa atualização da exposição de longa duração, com os diversos corpos e os setores que constroem o Frevo. Além do Mestre Wilson, há nomes como a performer Inaê Silva, a costureira Goretti Caminha, a passista Adriana Frevo e o Clube Lenhadores de Paudalho.

“O Paço do Frevo reafirma o seu lugar de encontros, da reverência à história e à tradição, dialogando com a efervescência e a criatividade que traçam futuros. O Frevo não apenas está muito vivo, ele é assim, de sempre e para sempre, de ontem e de hoje, sendo o mesmo e tantos a um só tempo. Uma perene e vibrante expressão da cultura, dos corpos, das identidades, dos pertencimentos e, podemos dizer, dos sonhos que nos fazem quem somos”, diz o secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello.

Com patrocínio do Instituto Cultural Vale, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a exposição intitulada “Frevo Vivo” dará as boas-vindas aos visitantes mostrando que o Frevo não é apenas um museu de memórias do passado. Pelo contrário, ele segue vivo, inquieto, pulsante e em constante transformação, nos corpos, na cidade e no mundo, 365 dias por ano. Quem entrar no Paço do Frevo a partir de hoje vai encontrar o piso térreo diferente – e com inéditas surpresas.

Para a diretora do museu, Luciana Félix, “A exposição Frevo Vivo cumpre a missão institucional do Paço do Frevo de olhar, como centro de referência em salvaguarda, o que acontece no dia a dia, as pautas urgentes e os debates profundos que cercam a cultura popular, olhando e valorizando as tradições ao mesmo tempo em que está atento ao que emerge do cotidiano. Essa é, portanto, uma expografia que não veio pronta, mas que passou por várias etapas de reflexão sobre os anseios da comunidade frevística nos oitos anos de existência do Paço”.

“Como forma de celebrar os 10 anos do Frevo como patrimônio imaterial pela Unesco, valorizando essa pluralidade e os processos colaborativos, o Paço também entrega à sociedade, neste mês de dezembro, um Novo Plano Museológico. Ao longo de todo o ano, ouvimos as diversas comunidades que compõem o Frevo e também o público para entender as funções do equipamento cultural e as ações que devem ser priorizadas para os próximos cinco anos”, complementa Luciana.

O projeto arquitetônico é da Casa Criatura, espaço no Sítio Histórico de Olinda que reúne design, arquitetura e cultura com propostas sustentáveis. A identidade visual da exposição “Frevo Vivo” é de Luciana Calheiros, do Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco e consultora do Paço. A consultora de exposições do IDG, Marina Piquet, destaca o processo curatorial coletivo e horizontal: “Foi um projeto coletivo desde o começo, com toda a equipe de especialistas e consultores formada só por recifenses e o pessoal do próprio Paço do Frevo, entre eles historiadores, passistas, estudiosos e pesquisadores. Foi um ganho muito grande”. Esse trabalho, feito a várias mãos, é também fruto dos processos permanentes de escuta para entender os anseios e as inquietações da comunidade frevística, que foi ouvida em vários momentos.

O processo coletivo também envolveu as construções feitas a partir da atualização do Plano Museológico do Paço em 2022, valorizando as colaborações de quem constrói o Frevo cotidianamente nos mais diversos espaços e também de quem visita o equipamento cultural. “Com muita emoção e pulsar, esperamos que a ‘Frevo Vivo’ gere encantamento em quem está conhecendo o Frevo pela primeira vez e gere também orgulho e sentimento de pertencimento nos pernambucanos”, diz Marina Piquet.

Gerente de conteúdo do Paço do Frevo, Mery Lemos frisa que o público vai encontrar uma exposição leve e fluida, idealizada com muito carinho e respeito pelo Frevo que pulsa nas ruas, nas periferias e nos palcos e que ocupa não só o Recife e Olinda, mas diversos lugares de Pernambuco e do mundo. “Por ser o Frevo uma expressão viva e em transformação, pensamos a exposição como esse lugar que traz as atualizações necessárias e o que há de novidade, mas sempre respeitando quem veio antes, entendendo a luta de quem construiu o Frevo como uma manifestação vinda das mulheres, das classes trabalhadoras, das periferias e do povo negro.

 

SERVIÇO

Inauguração “Frevo Vivo”

Hoje, terça-feira, dia 20 de dezembro

18h: visitação da “Frevo Vivo”

Palco com atrações gratuitas:

19h: performance “Virada no mói de coentro”

19h30: performance “É de fazer tremer: corpos negros no encontro dos tempo”

20h: Maestro Duda

Acesso gratuito

 

Paço do Frevo – Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife, Recife

Horários: Terça a sexta, 10h às 17h | Sábado e domingo, 11h às 18h

Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia) – entrada gratuita às terças-feiras

*Confira aqui a política de gratuidade e meia-entrada